sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Entrei na ervanária (não onde habitualmente almoço, na outra) e iniciei a descida. Reparei na extrema magreza daquela senhora que se encontrava ao balcão. Lindíssima, alta, certamente pelos 70 e poucos anos, vestida de branco, com um belo sorriso no rosto. Tinha nas mãos um saco de pano branco, no chão um cesto e um saco de papel com uma planta no interior. Conversava com o empregado numa mistura de inglês e português, sorriu na minha direção e começou a falar comigo com uma simpatia como se me conhecesse à muito tempo. Foi de uma amabilidade e delicadeza nas suas palavras, (que não esquecerei o que disse) retribui, falamos um pouco e o seu olhar continuava lá, muito doce e "extremely kind". Entretanto, tratei do que me tinha levado à loja, despedi-me e iniciei a subida. Já de costas, voltei a ouvir a senhora repetir as palavras a meu respeito, e sai.
sábado, 4 de agosto de 2012
entender !?...
...
às vezes ...
por vezes...
tem dias ...
outras vezes ...
nem por isso ...
...
...entender ...
... não se consegue entender ...
... é qualquer coisa ...
... tipo ...
...
... umas botas muito velhinhas ...
... com buracos ...
... mas ...
...
... são aquelas.
domingo, 22 de julho de 2012
Wislawa Szymborska 1923/2012
POSSIBILIDADES
Prefiro cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos nas margens do Warta.
Prefiro Dickens a Doistoievski.
Prefiro-me gostando dos homens
em vez de estar amando a humanidade.
Prefiro ter uma agulha preparada com a linha.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar
que a razão é culpada de tudo.
Prefiro as excepções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro conversar com os médicos sobre outra coisa.
Prefiro as velhas ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de escrever poemas
ao ridículo de não escrever.
No amor prefiro os aniversários não redondos
para serem comemorados cada dia.
Prefiro os moralistas,
que não prometem nada.
Prefiro a bondade esperta à bondade ingénua demais.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países conquistados aos países conquistadores.
Prefiro ter abjecções.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro contos de fada de Grimm às manchetes de jornais.
Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães com o rabo não cortado.
Prefiro os olhos claros porque os tenho escuros.
Prefiro as gavetas.
Prefiro muitas coisas que aqui não disse,
e outras tantas não mencionadas aqui.
Prefiro os zeros à solta
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo do insecto ao tempo das estrelas.
Prefiro isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.
Prefiro levar em consideração até a possibilidade
do ser ter a sua razão.
Wislawa Szymborska, in "rosa do mundo" assírio & alvim, 2001
quarta-feira, 18 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
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